"A paixão segundo GH", de
Clarice Lispector
Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se
acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua
cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em
segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um
objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens
dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência
introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você
desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem
entender.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.